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Opiniões


Teclados divididos ergonômicos com bastante teclas são os melhores

Aqui pretendo compartilhar o que aprendi sobre teclados de computador, qual o melhor teclado, o que ele deve ter para performance, ergonomia, etc.

Primeiramente devo dizer que o teclado que você usa não importa realmente pois a maioria do tempo será não digitando mas olhando e pensando para o que você estiver fazendo no computador. Dito isso, tem teclados melhores e piores, e como eu gosto dessa discussão e estava com um teclado de membrana caindo aos pedaços e as opções na internet são bem ruins, acabei entrando na toca do coelho, vale a pena compartilhar o que aprendi.

Minhas preocupações são diferentes do que se poderia esperar. Estou mais preocupado em ergonomia do que barulho ou responsividade para jogos.

Muito do que aprendi veio do Xah Lee. Ele diz que teclados devem:

  • Ser divididos (split) para não precisar com os ombros curvados;

  • Deve-se ter bastante teclas para o dedão, pois é o dedo mais forte e usar só para o espaço é muito pouco;

  • As teclas devem ser côncavas e regulares para saber onde termina e começa outra tecla;

  • As teclado deve ter formato côncavo e não as teclas mudar o formato para parecer uma côncavidade, pois do segundo modo o ponto de atuação do dedo vai modificar e vai tornar mais difícil apertar;

  • Os switches devem ser leves e as teclas pequenas, low profile são melhores pois é menos esforço para apertar e a altura do teclado deixa a mão torta e desconfortável;

  • Deixar apertado uma tecla para modificar o estado de outras é ruim pois é desconfortável;

  • Colunas devem ser retas, pois é assim que o dedo se move. Elas só não são assim em teclados convencionais devido as máquinas de escrever que tinham motivos técnicos para isso;

  • Deve-se digitar pela técnica do “touch typing”;

  • Não deve-se ter muitas teclas para o dedo mindinho, que é muito fraco;

Com essas informações eu decidi buscar o melhor teclado, ainda adicionando outros pontos que considero importantes, como a manutenabilidade do teclado, que se refere ao custo de troca de peças, também a facilidade de montar e conseguir, a facilidade de aprender e usar o layout e software de código aberto. Claro que vai ser dificil achar algum que tenha todas essas qualidades ao máximo, mas vou explorar os melhores de cada categoria e com os atributos balenceados.

Para minha sorte tem bastante comunidades de teclados que disponibilizam instruções para montar, arquivos das cases, e o software, que quase sempre é o QMK, software de código aberto e performático e centralizado para os diferentes teclados.

pteron36

A principio, eu pensei que um teclado split com umas 3 teclas de dedão, 5x3, plano, com teclas MX, seria o ideal, pois eu não tinha impressora 3D e isso dificultaria fazer as cases, com um plano eu poderia usar sem case mesmo, e as teclas e switches low profile são bem difíceis de encontrar e caras e basta usar um palm rest que resolveria o problema da altura, e o número de teclas pequeno é porque é o mínimo possível que usa as teclas mais acessíveis aos dedos (home row e seguintes), e eu poderia usar a técnica de layers, porém layers diferentes do shift que são desconfortáveis, layers que permanecem no estado até apertar novamente em alguma tecla, o layout seria ruim de aprender, mas o custo compensaria e eu poderia ter todas as teclas e macro keys disponíveis, bastando um tempinho para lembrar do layout e uma perca de agilidade, mas os dedos estariam confortáveis, e por isso poderiam apertar em mais teclas por vez. Meu plano era usar várias layers tanto para os caracters básicos quanto para atalhos de programas, fazendo com que todos os programas operassem como se tivessem os modos do vim, um para edição, outro para se mover, etc, isso juntaria o teclado e o macro pad. Seria a melhor opção entre os fatores requeridos.

Nisso, eu achei o Pteron36. O processo de construção foi relativamente fácil, mas envolvia o uso de PCBs que eu nunca tinha mexido. Comprei as pcbs do aliexpress, e normalmente eles permitem imprimir no mínimo 5, o que seria bem ruim pois tem duas partes do teclado, mas os designers dessa placa usaram um truque de fazer uma placa servir para as duas metades, bastando girar e usar o outro lado. Bem engenhoso. O software também foi relativamente fácil de compilar e usar, tem até o configurador online para gerar o layout de modo gráfico.

O problema foi na ideia das layers. O meu erro foi achar que poderia haver uma padronização nos atalhos, assim como o ctrl c e ctrl v funcionam em quase todos os programas. Na realidade, cada programa tem atalhos específicos para coisas específicas, afinal cada um faz coisas diferentes. muito pouca coisa é padronizado, o que faz com que seja necessário muitas páginas de layers para cobrir os atalhos principais e fica difícil organizar tudo isso para se lembrar. Além de o Emacs, meu editor de textos, não permitir que se altere os atalhos. Você pode até criar novos atalhos com facilidade, mas alterar os existentes é difícil.

Portanto o ideal é achar algum teclado com muitas tecladas, evitar usar layers de todo o tipo ao máximo. Não vai ter como escapar dos atalhos, no máximo usar alguma layer para imitar um macropad, com os atalhos mais usados.

dactyl-manuform

Nisso, o Dactyl, e forks como Dactyl-manuform, Dactyl carbonfet, me pareceram interessantes, pois eu ja estava para comprar uma impressora 3D por outros motivos, e eles eram o ápice da ergonomia, com seu formato côncavo. Além de permitirem configuração de quantidade de teclas, devido a seu case ser gerado por código. O problema é que tem que ser “handwired”, o que exige mais solda e complica um pouco o processo de montagem, mas pelo lado do custo isso era bom pois as PCBs estavam ficando caras.

Escolhi o Carbonfet devido a ser configurável, mais bonito e fácil de montar do que o Dactyl original. Configurei com 7 colunas, 6 rows, e com inner-column false, pois dava um número bom de teclas e a inner-column, apesar de ser mais ergônomica pois usa o dedo indicador ao invés do mindinho, complicava muito o layout, pois estragava a ordem dos números e acentos. além disso, já tem preconfiguração desse layout no qmk, não precisaria fazer o código.

Para o layout deixei a maioria no padrão qwerty, tirando os enters, space, ctrl, alt e shift e movendo para as teclas do polegar. Sobre uns espaços estranhos na coluna mais a esquerda e nas últimas rows que uso para home, etc. e setas cima, baixo, etc. que ficam meio ruins, mas no geral vale a pena, não são teclas muito usadas e da para se acostumar.

layers

Como o teclado é handwired e configurável, fica difícil reutilizar o firmware, e portanto tem-se que modificar você mesmo os existentes para se adequar a quantas teclas você tem e como estão dispostas no circuito. Não vem junto o holder do arduino pro micro mas da para achar facilmente na internet ou fazer você mesmo.

diagrama handwired dactyl

Enfim, acho que esse é o melhor teclado possível que se pode usar, considerando todos os fatores mencionados. É muito confortável, divertido de digitar e tira a necessidade de ficar com uma postura ruim.

Porém, acho que como recomendação geral o melhor seria algum teclado igual ao meu dactyl porém plano, pois o dactyl é mais ergonômico quando digitando, porém um plano é melhor para quando só se quer digitar alguns atalhos e usar o mouse, não precisa ficar na posição certa para digitar, além de ser mais fácil a montagem com pcb, e ser mais fácil de transportar (não que isso seja uma granda vantagem mas não é ruim de se ter). Split, plano com bastante teclas.

acho que o endgame dos teclados seria um que tivesse um trackpoint e botões de mouse, sendo split, bastante teclas, ortho e concavo como o dactyl. usei o trackpint dos teclados do thinkpad e posso dizer que ajuda muito não precisar tirar a mão do teclado para usar o mouse, porém não se acha teclados com esse trackpoint fora dos thinkpads, não sei se é problema de patente ou o que. tem também os modelos com trackball imbutida que parecem fazer o mesmo efeito, teria que testar se é realmente bom.